Este é o segundo post da série sobre escalas. Antes de estudar as escalas menores, é necessário você entender a estrutura das escalas maiores do primeiro post da série.
As escalas menores são as escalas que dão as características à tonalidade menor.
Tonalidade “é o sistema que rege as escalas ou tons, segundo o princípio de que os seus diferentes graus estão na dependência da nota principal, ou seja da tônica” (MED, 1996, p. 90). Complementando: “tonalidade maior é o conjunto de todas as escalas maiores [e] tonalidade menor, de todas as escalas menores” (MED, 1996, p. 90).
Ao falarmos de escalas menores, devemos saber que existem 3 tipos delas:
menor natural – menor harmônica – menor melódica
Vamos a explicação de cada uma delas e suas particularidades:
MENOR NATURAL
A menor natural é a primeira das 3 escalas menores, para encontra-lá vamos partir da escala maior:
Já vimos que as escalas maiores possuem a estrutura T T st – T T st, certo ?
Vamos relembrar:

Na fig.1 temos a estrutura da escala maior, observe os III, VI e VII graus destacados, são somente estes graus que irão mudar para a escala maior se transformar em menor natural:

Na escala menor, em comparação com a escala maior, os graus III, VI e VII abaixam meio tom, com isso temos em relação a tônica: TERÇA MENOR (III), SEXTA MENOR (VI) e SÉTIMA MENOR (VII).
Esta é uma das formas de encontrar a menor natural: Diminuindo meio tom dos III, VI e VII graus de qualquer escala maior, deste modo teremos a escala homônima menor.
Outra forma de localizar a menor natural é começar do sexto grau de uma escala maior, deste modo encontramos sua RELATIVA MENOR. Por exemplo:
Observe novamente a fig 1: escala de Dó maior. Partindo do seu VI grau (nota Lá) e continuando a partir dai, teremos a escala de Lá menor natural. A escala de Lá menor portanto, contém as mesmas notas que a escala de de Dó maior (sua relativa). Observe:

Em síntese, “escalas relativas são duas escalas formadas pelas mesmas notas e com a mesma armadura, porém pertencendo a modos diferentes, uma maior e a outra menor” (MED, 1996, 133).
Podemos destacar ainda na menor natural a distância de 1 tom entre os VII e VIII graus. Portanto, na menor natural, o VII grau é tratado como SUBTÔNICA, diferentemente da escala maior, que possui distância de meio tom entre os mesmos graus (VII e VIII), neste caso o VII grau é tratado como SENSÍVEL.
Agora é com você! antes de passar para as outras escalas menores, estude a sonoridade da menor natural o máximo possível. Toque a escala maior e depois a menor, no mesmo tom, tente perceber suas diferenças, estude também as escalas maiores e suas relativas menores, é hora de usar seus ouvidos. Só então passe para as próximas escalas.
MENOR HARMÔNICA
A segunda das escalas menores é a harmônica, ela tem sua variação a partir da menor natural, que estudamos acima.
Observe:

Repare que na menor harmônica o sétimo grau recebe uma alteração em relação a menor natural, sendo elevado em meio tom. Portanto, a distancia entre o VI e o VII grau é de 1 tom e meio (segunda aumentada) T + st.
A alteração da escala menor harmônica é vital para a harmonia, pois se constitui na alteração necessária para se obter a sensível, isto é, um intervalo de semitom entre a sétima e a oitava nota. Por esta razão tal forma de apresentação escalar levou o nome de “menor harmônica” ( RAMIRES, 2004, p. 110).
A sensível (meio tom entre o VII e VIII grau) é fundamental na música tonal, para obtermos a preparação e a resolução na tônica (VIII -I). esta é a perspectiva de movimento característica do tonalismo.
Para encontrarmos a escala menor harmônica basta aumentar em meio tom o VII grau da escala menor natural.
Observe abaixo a menor harmônica em outro tom (Dó):

Ao compararmos ambas as escalas menores estudadas até aqui, podemos perceber o seguinte:
Menor Natural: VII grau é denominado subtônica (um tom entre o VIII e I grau).
Menor Harmônica: VII grau é denominado sensível (meio entre o VIII e I grau).
Agora é com você! escute ambas as escalas menores estudadas até aqui (natural e harmônica), perceba as diferenças de sonoridade entre elas, é hora de utilizar seus ouvidos. Somente depois de assimilar as diferenças de sonoridade e estrutura entre elas passe para a terceira e última das escalas menores.
MENOR MELÓDICA
Ao estudarmos as duas escalas menores até aqui (natural e harmônica), devemos observar que elas possuem a mesma estrutura tanto ascendente quanto descendentemente, ou seja, ambas escalas “sobem” e “descem” da mesma forma. Na menor melódica não acontece dessa forma, ela possui uma estrutura “subindo” (do grave p/ o agudo) e outra estrutura “descendo” (do agudo p/ o grave). Vamos entender:

Em seu movimento ascendente, a escala menor melódica terá alterações em seus graus VI e VII, que serão elevados meio tom acima da armadura de clave. Já em sua descida, “todas as notas voltam conforme a armadura” (RAMIRES, 2004, p. 111), descendo exatamente como a escala menor em sua forma natural.
Mas por que ocorre estas alterações na escala melódica em sua forma descendente?
Analisando a forma descendente da escala, se mantivéssemos as alterações da escala melódica, também na sua forma descendente, notaríamos que o primeiro tetracordes é o mesmo da escala maior. Por isso, ao tocar ou cantar uma escala menor melódica, na sua forma descendente, sem que a alteremos, corremos o risco de mudar a perspectiva de resolução, transferindo o centro tonal para a escala maior. Ou seja, sua forma descendente surge da necessidade de preservar o modo da escala (BATISTA, 2016, p. 48).
Em outras palavras: Se as alterações da escala melódica não ocorressem na “volta” da escala (descendente), o executante, tanto instrumental quanto o cantor, correriam o risco de interpreta-lá como uma escala maior, tirando assim o “sentido menor” que compete a tonalidade.
IMPORTANTE! Quando dizemos que existem alterações na escala melódica, não necessariamente quer dizer que estas alterações serão sempre sustenidos ou bequadros, porém a regra sempre será a mesma para todas as tonalidades. Observe e compare a escala melódica de Dó (fig. 7), por exemplo, em sua forma ascendente. Ela não possui acidentes nas sua forma ascendente, já na forma descendente aparecem o bemol tanto no VIII quanto no VII grau. Respeite sempre a estrutura da escala: T st T T T T st – T T st T T st T. A escala melódica sempre volta identica a menor natural.

Estude a escala melódica em todas as tonalidades, perceba as diferenças e características sonoras, mantenha seus ouvidos atentos.
Agora que conhecemos as 3 escalas referentes ao modo menor, devemos ter em mente que cada uma delas tem suas especificidades. No começo é natural parecer bastante confuso se comparada as escala maior, por isso devemos estudar cada uma delas o tempo necessário para entende-las, cada uma a seu tempo. Lembre-se: Não basta apenas saber as escalas, nem decorar dezenas de “shapes” no braço do instrumento. É preciso saber usa-los! é preciso antes de tudo saber como aplica-los!. Ninguém aprende música em um dia apenas, nem em uma semana, vá com calma, só passe para a próxima escala quando estiver entendido a anterior. Os assuntos abordados neste post são assuntos para serem vistos e revistos periodicamente, e podem se estender durante anos, devemos estar sempre relembrando! Agora é com você!!!
Bons estudos.
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